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Li, recentemente, o desabafo da escritora Inês C. Lohn, no Face, e não posso deixar de me pronunciar. A escritora costuma deixar livros dela em lugares onde os possíveis leitores possam encontrar, para levá-los e ler, como eu já faço, inclusive, há vários anos. Deixamos os nossos livros em bares, restaurantes, bancos de praça, ônibus, trens, navios, aeroportos, etc., com a indicação de que quem encontrar o livro pode levá-lo, se assim o desejar, para lê-lo e depois deixar em um lugar onde outra pessoa possa pegá-lo para ler e assim continuar a corrente de leitura.

Transcrevo o depoimento da própria escritora: “Hoje depois de fazer todo um percurso pela cidade e ver ao longe as pessoas encontrando o livro que deixei em algum lugar e ver a expressão das pessoas depois de ler o bilhete, tive uma surpresa triste e desagradável.
Quando eu já estava voltando para casa, ainda no centro, um jovem me alcançou e me destratou por eu colocar livros para serem encontrados na rua. Escutei poucas e boas e ele devolveu o livro que havia encontrado. Disse-me: é por conta de pessoas assim que o Brasil desabou e se encontra na lama. Livros devem estar expostos em Livrarias e Academias de Letras ou em lugares apropriados e culturais da cidade. Não devem ser distribuídos de graça, deixados por aí expostos na rua em qualquer lugar.”

Ah, então livros não existem mais para ler, eles são feitos para ficarem guardados, para servirem de enfeite? Pois é justamente o contrário do que eu professo: não deixem seus livros guardados. Façam com que sejam lidos, com que continuem sendo lidos, sempre. Livro não é para ficar fechado. Livro fechado não existe, ele só existe enquanto lido, quando é recriado pelo leitor. Livro tem que estar na mão do leitor, nos olhos do leitor, na mente do leitor, no coração do leitor, fazendo o seu trabalho de disseminar o conhecimento, a cultura, a fantasia, a história do ser humano.

 Fico indignado com a ignorância que grassa por aí, cada vez mais grave, porque a culpa não é das pessoas, o problema é de todo um sistema de educação, de um ensino sucateado justamente por quem tem que primar pela sua melhora, pelo seu resgate, pela sua boa manutenção e desenvolvimento. Falo do governo, a administração deste nosso Brasilzão, que faz mudanças na educação, mas nunca para melhor, sempre para pior. E não apenas esta que está no poder, mas as anteriores também, principalmente, porque deixaram o país no estado em que está. E num país sem educação, onde o ensino é relegado a último plano, acontecem coisas como a que aconteceu com a escritora.

Não é de hoje que combato isso e procuro incentivar iniciativas que possibilitam a aproximação livro-leitor, que ajudam a incutir o gosto pela leitura, o hábito da leitura. Existem pessoas anônimas que recolhem livros na sua comunidade, na sua cidade, para poder doá-los a quem queira lê-los, a quem não pode comprar livros. E existem muitas dessas iniciativas pelo Brasil, felizmente, mas há quem procure dificultar, como o rapaz ignorante que ofendeu a escritora e todos nós e, recentemente, a prefeitura do Rio, vejam vocês, que multou uma pessoa por distribuir livros de graça na praia. E a pessoa tinha licença para a sua banca, com tudo certinho, tudo  legal.

Educação e cultura são a base de um povo. Sem isso, não somos nada. E os “políticos” corruptos que comandam este país não tem cultura, nem educação. E querem que ninguém tenha. Precisamos começar a pensar nisso. Porque um país sem educação interessa a esses mesmos “políticos”, porque é mais fácil manipular o povo. E com políticos corruptos e um povo sem educação, o país sucumbe.

Por Luiz Carlos Amorim – Escritor, editor e revisor, Fundador e presidente do Grupo Literário A ILHA, com 37 anos de trajetória, cadeira 19 na Academia SulBrasileira de Letras. http://lcamorim.blogspot.com – http://www.prosapoesiaecia.xpg.uol.com.br

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